Sobre a pressão de ser quem você é

Você escolhe coisas para a sua vida. E a vida se encarrega de chacoalhar e por tudo de cabeça pra baixo.

Eu escolhi ser mãe, veio a vida e me deu gêmeos;

Eu escolhi reformar uma casa e deixá-la do jeitinho dos meus sonhos. Veio a oportunidade de mudar para o interior, em uma casinha com 1/3 do tamanho da antiga, tendo bois e pererecas como vizinhos e gramado, piscina, insetos, horta, lagartos e vespas para aprender a lidar.

Eu escolhi viver feliz para sempre, veio o desgaste de um casamento de altos e baixos e trouxe o divórcio. Éramos uma família tradicional, agora sigo como uma mãe solo.

Eu escolhi o home office para ter flexibilidade de horários, veio uma agenda ainda mais apertada, com prazos, clientes, muuuuito trabalho e uma nova habilidade: de ser malabarista do tempo.

Tem dias que é um encanto ser quem eu sou. Tem dias que não.

Com tudo isso, veio uma consciência absurda e irrevogável de mim mesma. Um aprendizado diário, um exercício constante de autoconhecimento, disciplina e reforma interior. Um chamado quase metafísico de redescoberta. Um renascimento diário que dá origem a alguém que busca ser melhor – mas que, às vezes, derrapa na curva.

O passar dos anos, a maternidade gemelar, o peso de ser o ‘homem da casa’ e suprir em carinho, atenção, comida na mesa e cama limpinha trouxe, de um lado, uma satisfação enorme de dar conta. Quando eu acho que não vai dar, sempre dá.

Por outro lado, também trouxe a árdua missão de ser quem eu sou. Como diz uma amiga, “sem massagem”.

Isso não é comigo, eu sei. Acontece com você também. A gente faz algumas escolhas, o Universo conspira com outras e a gente vira uma colcha de retalhos com todos os pedacinhos que vamos costurando. Às vezes pesa e a gente tem que respirar fundo e entender que o lance é só a gente com a gente mesmo.

Muitas vezes, um chocolate se faz necessário. Ou uma taça (ou garrafa) de vinho.

E daí o turbilhão passa. Você pisca e abre os olhos de novo e brota lá do fundo aquele orgulho avassalador. Não o orgulho prepotente nem o arrogante. O orgulho de saber que a gente aguenta o tranco.

A pressão de ser quem somos é grande, mas a gente consegue. E segue remando, porque amanhã tem mais.

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