Ho’oponopono e o Divórcio

Não importa como chegamos ao fim, de qual lado partiu, dos motivos que nos levaram até ali. Uma vez que se está diante do término de um relacionamento – especialmente de um casamento com filhos, fica a evidente sensação de que “não deu certo”.

Esse sentimento de frustração e fracasso me acompanhou por um tempinho. Curto, é verdade. Tenho em mim algo nato, que flutua entre a gratidão e o otimismo, então logo consegui re-significar a coisa toda. Deu certo enquanto deu certo, depois não deu certo mais e acabou. Sábio mesmo foi Vinicius, que já avisava: o amor é infinito enquanto dura.

Olhando agora, passado o turbilhão de sentimentos conflituosos, de decisões mais urgentes e de questões burocráticas, vejo-me hoje com um papel na mão, onde o sr. Juiz me permite voltar a ter nome de solteira e o papel passado de divorciada. Um papel impresso na hora, impressora comum, sem nenhuma pompa, dobrado e enfiado na bolsa. E mais uma vez, a sensação de “que merda, não deu certo”.

Chego em casa, mezzo TPM, mezzo encafifada de novo com essa sensação esquisita. Sento para trabalhar, ligo o computador e a primeira coisa que eu leio é “Ho’oponopono”. Aquela oração que todo mundo já cruzou e talvez nunca tenha captado a essência.

Hoje, a essência dela bateu fundo, um soco direto na boca do estômago. A oração que diz:

Sinto muito, me perdoe, te amo, sou grato.

Mais uma vez, o Universo conspirando a meu favor. Tão verdadeiras as palavras, tão simples e profundas. Tão importantes para marcar um fim com a dignidade, o respeito e o carinho que ele merece.

Sinto muito. Poderia ter sido diferente, de ambas as partes. Fizemos o que pudemos, acertamos e erramos por amor e, em alguns momentos, pela ausência dele. Não deu. Acabou. Sinto muito pelo palavras ditas e as omitidas, pelos tropeços, pelas faltas.

Me perdoe. Se possível, me perdoe e se perdoe. Eu me perdoo também. Demos o nosso melhor e foi uma história bonita que chegou ao fim. Que nada apague essa beleza.

Te amo. Porque amar tem formas diversas. Amor também é amizade, respeito e cumplicidade, principalmente porque teremos que ensinar aos nossos filhos o que é amor. E que ele vale a pena.

Sou grato. Ao Universo, sou grata por ter me reencontrado em meio às dificuldades, por nunca me afastar da minha essência apesar das tormentas. À relação, sou grata principalmente pelos filhos que dela vieram e por todos os momentos felizes que existiram. Porque esta sou eu, aquela que #sóagradece.

Quanta beleza em uma oração que, até alguns minutos atrás, era incompreensível para mim. Basta olhar com novos olhos – inclusive para os finais de ciclo, que possibilitam os recomeços.

Ho’oponopono.

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