Esperando a experiência transcendental

transcendental

Eu confesso: idealizei demais a gravidez!

Antes de engravidar, imaginava um zilhão de situações, sensações e experiências com as quais eu supostamente teria contato. Imaginava que ia sentir o dia que o óvulo teria sido fecundado, cada modificação do corpo, ficava pensando no quão espiritual e metafísica seria a minha experiência ‘gravidística’. Ha-ha-ha.

Eis que, embora já estivesse com meu exame de Beta-HCG em mãos, duvidei da gravidez até o primeiro ultrassom, quando tivevemos a surpresa: parabéns, serão gêmeos! Como assim? E eu não senti nada? Cadê os sininhos tocando e o coral de anjos? Necas. Sai da sala da médica e só voltei à vida real depois de mais ou menos uma semana.

Vieram as preocupações, projetos ruíram, dá-lhe recomeçar o planejamento para esperar os gêmeos. Talvez o mais próximo de intuição maternal que eu tive foi a certeza de que não seriam duas meninas – ou seria um casal, ou dois meninos. E só.

Ficava todos os dias esperando por um sinal divino, luzes piscando, sonhos reveladores… e nada! NADA! Não era assim que eu imaginava, tá bom? Queria o tal coral de anjos, cáspita!

Não houve nenhuma experiência extra-sensorial, metafísica ou mística. E muitas vezes me olhei no espelho e pensei “estou engordando”, para depois me lembrar que eu estava, na verdade, grávida. Pois é… esqueci muitas vezes que estava grávida, como pode?

Estou com 19 semanas, quase 20. A barriga tá crescendo, grande parte dos detalhes para receber os bebês está resolvida, não tive nenhum contratepo e só tenho a agradecer pela tranquilidade e a calma que me acompanham nesta gestação. Mas eu, tão espiritualista, fico meio frustada por não ter vivido nenhuma experiência transcendental…

Por outro lado, é fantástico olhar a gravidez com outros olhos: me sentir mulher, mamífera, saber que a biologia e a fisiologia funcionam perfeitamente, onde tudo se encaixa e se monta em um quebra-cabeças perfeito. À medida que a barriga cresce, vai crescendo junto um sentimento de proteção, quase que de preservação da espécie. Talvez haja, enfim, um pouco de magia neste nosso lado visceral e animal.

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