Menos mimimi, por favor

Sinto uma dificuldade imensa de encontrar mulheres que compartilham comigo desse sentimento de ser uma “mãe contemporânea”. A maior parte dos textos que encontro, principalmente na internet, parece que foi escrita para as mães de outras gerações. Não falam diretamente a mim. 

Sou uma mulher do meu tempo. Independente, consciente, feminina, alternativa, guerreira, carinhosa, forte e doce, tudo ao mesmo tempo. Gosto de trabalhar, de ganhar dinheiro, de dirigir na estrada, de cuidar do jardim, de cozinhar, de decorar a casa. Como tantas outras, tenho dias de santa e dias de… vocês sabem! Todas nós temos papéis múltiplos na sociedade, mas tudo o que leio parece querer nos rotular e nos impossibilita de ter todas as faces, de ser várias mulheres em uma só. 

Acredito que ser mãe é mais um destes papéis – talvez o mais delicioso deles, e também o que mais exige uma “alta performance”. Mas não acho que optar pela maternidade é abrir mão dos outros papéis. Ainda serei esposa, filha, profissional, sonhadora… ainda terei a minha individualidade, para possibilitar aos meus filhos a chance de serem independentes e ter sua própria personalidade. 

O fato de trabalhar fora, por exemplo, não vai me impedir de ser mãe em tempo integral. É preciso que as mulheres da nossa geração encontrem seu lugar e se posicionem. Conquistamos espaço e hoje temos o direito de escolher quais papéis desempenhar – até mesmo podemos escolher ficar em casa com os filhos, sem trabalhar fora, se isso nos fizer feliz. 

O que vejo hoje são duas vertentes radicais de pensamento: a mãe que não abandona a carreira por nada e a mãe que abre mão de tudo pelos filhos. Mas eu estou no meio-termo da balança. Não quero parar de trabalhar e quero conviver com o bebê que virá, tanto quanto eu puder. 

Quero ter meu dinheiro, para oferecer a ele coisas que eu considero importantes: livros, viagens, cultura, bem-estar e conforto. E quero ter tempo para ensinar a ele a importância dos valores, da educação e da moral. E para amá-lo, carinhá-lo e vê-lo crescer. 

Ainda não encontrei a fórmula mágica, mas ter consciência do que se quer é o primeiro passo.

Só gostaria que nos tratassem com menos mimimi e com mais contemporaneidade.

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