Historinhas do dia-a-dia

Todos os dias por aqui são favoráveis para os gêmeos soltarem pequenas pérolas. Também são favoráveis para me jogar na cara o quanto a maternidade é um eterno exercício de cuspir pra cima e cair na testa, pagar a língua e todas as outras expressões similares que você conhece.

Vou anotá-las aqui, nesta categoria “Historinhas do dia-a-dia“. Assim um dia eles vão poder se deliciar com estas pequenas lembranças. Espero que vocês se deliciem também!

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Historinha 1

No carro, ouvíamos as musiquinhas da “Arca de Noé”. De repente Thomas ficou prestando atenção na faixa “As Abelhas”…

♪♫♪ Num zune-que-zune lá vão pro jardim / Brincar com a cravina / Valsar com o jasmim / Da rosa pro cravo / Do cravo pra rosa / Da rosa pro favo / e de volta pra rosa ♪♫♪

O grande porém é que a vovó dele chama-se Rosa (minha mãe). Ele já achou estranho as abelhas voarem para a Rosa, mas ficou bravo e me perguntou quem era o Flávio.

“Que Flavio, Tom?” “Esse daí, da música… a abelha voa da Rosa para o Flávio!”

É Flávio não, meu filho. É FAVO… FAVO DE MEL…

“Ah mamãe… ah bom!”

Devia estar com ciúmes da vovó!

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Pagando a língua 1

Uma coisa que eu detesto: gente que fica “catando” coisas no prato de comida, separando, escolhendo…

Uma coisa que a Sofia faz: fica catando coisas no prato e separando a cebola “no cantinho”

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Parece que não vai dar…

De repente, dá muita vontade de escrever e compartilhar as histórias que a gente vive. Principalmente quando eu venho reler as minhas próprias histórias e me emociono de novo, vivencio de novo, choro de novo. De longe, nem parece tão difícil.

Aliás, se eu tivesse um lema, seria: parece que não vai dar, mas dá.

Desde que os gêmeos nasceram já se passaram 4 anos e 4 meses. E a fase atual sempre é a mais difícil, porque é a que está fresquinha na memória. A gente lembra que ontem a Sofia fez birra e chorou por 1 hora e meia antes de dormir, porque estava exausta / com calor / contrariada e sei lá eu mais o quê. Mas não lembra que quando eles tinham 2 meses de vida nem sabia o que era dormir uma noite inteira – já passou.

Parecia que nunca ia passar, mas passou.

E eu nunca imaginei que educar fosse tão complicado. Que às vezes eu teria preguiça de corrigir. Que às vezes eu ia perder o controle e ter vontade de sair correndo, pegar o primeiro ônibus e seguir direto pro Maranhão- ou mais longe. Dizem que a gente é uma ótima mãe até parir e é verdade.

Parindo gêmeos, calcule.

Não tem escola para mães. A gente vai aprendendo na raça e na coragem, acertando e errando. Mas eles nos amam tanto que acaba sendo a viagem mais louca do planeta. Tem valido a pena.

Aos poucos também venho aprendendo a ser uma “nova eu”. Isso também não ensinam pra gente: os filhos vão nascer e a gente vai sentir saudades de quem a gente era. Eu sinto. E daí a gente descobre que nascemos de novo, uma nova pessoa dentro da pessoa que já existia. E as vezes essas pessoas entram em conflito.

São muitas coisas que eu gostaria de deixar registrado e de compartilhar. De trocar. Vou me esforçar mesmo para voltar a escrever. Acho que vai ser muito legal de novo.

Não tenho tempo, estou um bagaço ambulante, não sei se vai dar.

Parece que não vai dar, mas dá.

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Três anos

Meu Deus, eles crescem de repente.

Em um piscar de olhos, seus bebês inocentes e indefesos tornam-se pequenas criancinhas, cheias de opinião, querer e saber. Eles captam, absorvem, reproduzem e questionam absolutamente tudo – de comportamentos a pensamentos, e quando você menos espera, eles te mostram que são pequenos indivíduos, de personalidade e individualidade inquestionáveis.

Ontem eles ainda estavam usando fraldas, com um vocabulário restrito, chupando chupetas e andando a passos cambaleantes. Mas agora eles se sentam à mesa, fazendo questão de empunhar garfos e facas e de beber em “copo de vidro”. Eles largaram das chupetas como se fosse conveniente para eles, e não para nós, e três dias depois faziam piadas com o sumiço delas (apesar de acreditarem do fundo da alma que uma fada misteriosa levou as chupetas para um lugar encantado). Eles escolhem suas roupas e sapatos, escolhem os DVDs que querem assistir, têm cada qual as suas músicas e atividades preferidas.

Conversam sobre qualquer assunto e têm uma memória de elefante, basta falar uma vez, explicar com calma e com simplicidade, que eles entendem tudinho. São perfeitos na teoria da obediência e das regras da casa, mas ainda tropeçam na prática. São crianças gratas e sensíveis, e como eu agradeço por isso todos os dias. Me admiro com a gratidão deles pelas pequenas e pelas grandes coisas e pela espontaneidade e sinceridade que agradecem por tudo.

Ambos têm personalidades tão distintas e marcantes que custo a acreditar que são gêmeos, criados ao mesmo tempo e da mesma forma. E nos amam com tanto carinho e devoção que eu nem sei se somos merecedores de tamanho afeto.

Ontem, quando fui dormir, deixei no berço dois pequenos bebezinhos. Mas de repente me vi acordada, com duas pequenas crianças, cheias de humor e inteligência, me dizendo que “já cresceram, mas ainda não alcançam as coisas lá de cima”. Eles me surpreendem com seu raciocínio (super) lógico, com suas habilidades de explicar as coisas do jeitinho deles, de expressar inclusive os sentimentos que estão experimentando. A ponto de me falar “não quero conversar agora”, quando estão contrariados com alguma situação.

E eles têm apenas três anos.

Fico sem folego só em pensar em tudo que temos pela frente. Lobão disse que prefere viver 10 anos a mil do que mil anos a 10… Mas quem tem filhos experimenta a viagem mais louca e alucinante da vida – capaz de te fazer viver mil dias em apenas um.

Até aqui, um ano e oito meses de curiquices

Um ano, oito meses.

Inacreditavelmente, só isso. Olho para trás e vejo desenrolar um filme comprido, cheio de emoções arrebatadoras, que vão do mais puro encantamento ao estresse e exaustão absolutos.

Faz tudo – ou só isso – de tempo que eles chegaram nas nossas vidas e colocaram tudo de cabeça para baixo. Inclusive cadeiras, baldes, panelas e brinquedos, tudo de cabeça para baixo.

Muitas vezes ouvi “você só vai entender o que é amor quando for mãe”, mas acho que não explicaram direito… Isso que a gente sente por eles não é amor. É devoção, é entrega voluntária, é um sentimento que vem da alma, que vem não sei de onde. Um sentimento que faz você abrir mão da sua liberdade, do seu espaço, dos seus afazeres, para ficar mais um minutinho com eles.

E agora, que eles estão crescendo e se desenvolvendo a olhos vistos – virando pequenas gentinhas birrentas, chororentas e cheias de sujeirinhas no nariz, atrás da orelha e fazendo puns bem fedidos – é possível perceber o quanto eles tem de nós. O quanto nos imitam. O quanto nos admiram e nos respeitam. E dá vontade de chorar.

Meus curicos lindos…

Profissão: mãe

Partindo da filosofia “antes tarde do que nunca” e para compensar a minha ausência (também aproveitando que o blog é meu e eu escrevo o que eu quiser, rs) vou falar sobre coisas que foram importantes neste período.

A mais marcante talvez tenha sido o fato de ter me tornado mãe em tempo integral.

O Universo conspira, isso é fato. Depois de passar a gravidez e a licença-maternidade entoando o mantra “não sei”, me preparei para o retorno ao trabalho. Estava animada, revigorada, mas ao mesmo tempo apavorada com o que seria a minha nova rotina. Chegando ao trabalho, não tive tempo de ao menos entrar na minha sala. Fui chamada ao DP e demitida, de cara, às 8h da manhã. Era a resposta que eu precisava do universo.

Sempre, sempre almejei cuidar dos meus filhos por um tempo, na primeira infância, como uma mãe em período integral. Sabia que a realidade das mulheres de hoje é diferente, que todo mundo trabalha fora, bla bla bla… mas eu queria mesmo cuidar da prole, pessoalmente. E quando a vida me deu esta oportunidade, agarrei com força. Com alguns cortes no orçamento e alguns freelas para complementar a renda da família, temos sobrevivido até aqui.

Para mim a maternidade tem sido uma fonte inesgotável de experiências, de experimentações e de mudanças. Mas poder exerce-la em tempo integral tem me completado como pessoa. Para as coisas das quais eu abri mão – e foram inúmeras – olho com um misto de carinho e saudosismo, mas sei que elas continuarão por ali, prontas para voltar ao meu alcance na hora certa. Ao passo que se eu estivesse longe dos meus filhos, perderia coisas importantíssimas para mim: todas essas bobagenzinhas que eles fazem no dia-a-dia e que me enchem de encantamento e deslumbre.

Trabalhar em casa é um sonho realizado. Procuro fazer tudo bem bonitinho: levanto, escovo os dentes, boto uma roupa, penteio o cabelo, passo perfume, nada de ficar de pijama o dia todo. Conciliar a rotina da casa, do trabalho, das crianças é um quebra-cabeças sem fim, mas que tem valido todos os esforços.

Ser mãe de gêmeos despertou em mim uma calma, uma placidez que eu jamais pensei em ter. Foi o fim de anos de angústia e ansiedade, pelo simples fato de não poder programar absolutamente mais nada de forma tão rigorosa e inflexível. Conviver tão intensamente com eles, sendo mamãe-full-time, tem me obrigado a ser mais paciente, menos perfeccionista e mais complacente comigo, com minhas dificuldades. E tem me enchido de alegria.

Evidentemente, estas é a minha visão das circunstâncias. Tem a turma do “eu apoio”, do “eu reprovo” e do “eu não sei se aguentaria”. Não estou levantando nenhuma bandeira, sou a favor da liberdade de escolhas. Porque trabalhar fora ou ficar em casa com os filhos não é garantia de nada. Bom mesmo é ter uma mãe feliz por perto – e este é um privilégio que ninguém pode tirar do Thomas e da Sofia.

E ainda ter tempo para dar passeios no meio da semana… não, não tem preço!

15 meses de Thomas e Sofia

Tanto tempo longe do blog… e não foi por falta de assunto, nem de vontade, nem de disposição. Foi mesmo por falta de tempo – sem exagero.

Antes das crianças nascerem eu me perguntava “por que existem tão poucos blogs escritos por mães de gêmeos?”. Me sentia sozinha no mundo, sem ter com quem trocar figurinhas… mas agora já sei a resposta. O fato é que fica difícil conciliar todas as tarefas, e acabamos trocando a vontade de escrever pela vontade de cochilar, comer em paz…

Já se passaram um ano e quase quatro meses desde que os gêmeos nasceram. Impossível definir o quanto a minha vida mudou desde então. E foi tudo tão rápido…

Ainda hoje fiquei sentada no chão da minha “ex-sala-de-TV” e atual “salinha dos gêmeos” observando cada gesto e atitude dos dois. Sofia levantou do chão, pegou a “naninha” que estava em cima do sofá, abraçou e voltou a sentar, senhora de si, sabendo exatamente o que queria. Foi lá e fez, como se ela fosse… uma pessoa. Minha pequena pessoinha.

Claro que toda mãe há de ser tão coruja quanto eu e admirar cada espirro, cada firula, cada sinal de vida inteligente por detrás das chupetas. E é por isso que o meu esporte predileto agora é ficar namorando minhas duas gentinhas, cada dia mais espertos e inteligentes.

Do alto de seus 15 meses, Thomas e Sofia caminham com firmeza – já estão ensaiando uns pulinhos, até! Começaram a andar na semana de seu primeiro aniversário, os dois quase ao mesmo tempo. As bocas estão “cheias” de dentes, quatro em cima, quatro embaixo… e agora despontando os pré-molares, gengivas inchadas, crianças irritadas, aquele tormento que só quem é mãe entende do que eu estou falando.

Continuam quase carecas. Thomas tem uma penugem loirinha na cabeça, mas nem sinal dos cachinhos que eu via nos meus sonhos de grávida. Sofia tem menos cabelo ainda, uns fiozinhos de nada, aparentemente mais escuros e mais rebeldes.

Apesar do vocabulário econômico (papá, por exemplo, serve para comida, papai e sapato, vejam só), consigo entender perfeitamente o que eles me “dizem”. De sons coerentes, apenas mamãim, papaim, papá, tetê, auau, vovó e dá. Água por aqui é aaaaaa-da, mas também usada adequadamente. O resto são sons ininteligíveis, mas contagiantes. Sofia é a tagarela da casa, Thomas é mais quieto, mas tem um vozeirão. E grita BOOOOUUUU (um híbrido de bola e gol) a cada chute na bola, praticamente um mini-neymar.

São duas crianças incrivelmente musicais. Adoram qualquer tipo de ritmo, dançam, sambam, batucam e batem palma. Pelo visto, Thomas vai para a Timbalada, batuqueiro que só ele… e Sofia está indecisa se vai se juntar ao balé do Municipal ou à uma escola de samba qualquer, como rainha de bateria. Adoram aplausos, a cada pequena conquista – encaixar peças, escalar degraus ou tomar todo o leite – começam a aplaudir e gritar “ê ê ê ê ê ê”… e eu me derreto de orgulho. Também sabem as coreografias complexas de um ou dois gestos de algumas músicas… e eu me derreto de orgulho. Eles existem e, só por este simples fato, eu me derreto de orgulho.

Comem de tudo – almoçam a comida da casa, amam frutas, tudo bonitinho. Longe das avós, das tias e de outras “más influências” similares, não comem doces e porcariadas. Mas elas dão escondido que eu sei! Por via das dúvidas, já comecei a ensinar a escovar os dentes… Aliás, essas “más influências” nunca se cansam de paparicá-los, mimá-los, apertá-los e estraga-los… São crianças de muita sorte, estes gêmeos.

Olho para trás e não consigo acreditar no quanto minha vida mudou. Apesar do cansaço, do estresse, da correria e das noites de sono interrompido, sou uma pessoa melhor hoje, depois da chegada desses pequenos. E daí, quando você tem quase certeza de que está prestes a sucumbir, de repente surge dois pares de braços te envolvendo, quatro olhinhos cheios de devoção e carinho, uma pequena rebelião disputando o seu colo… e você respira fundo e segue. Não, sem antes, se derreter mais uma vez de orgulho.

Pequeno conto de amor

Gemeos choram ao mesmo tempo. O caos, o horror, o fim do mundo. Desamparo define. Também choro, sou humana, não sou de ferro. Acho que não vou dar conta, é demais pra mim, mimimi.

O tsunami de emoções passa, vem a calmaria. Só foram alguns minutos – que pareceram horas, dias, a própria eternidade.

Cinco minutos depois, ainda suspirando e deitada na minha cama, Sofia sorri pra mim, seu sorrisinho sem dentes, meigo, inocente. E eu morro de um amor profundo.

Thomas e Sofia: 4 meses

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Uau. Quatro meses de descobertas e muitas alegrias (além das noites mal dormidas)! Posso afirmar que foram os quatro meses mais intensos de toda a minha vida.

Neste último mês as crianças deram um salto de desenvolvimento. Sempre me diziam que as coisas iam melhorar depois do 3° mês, mas eu não acreditava. Milagrosamente, porém, as cólicas desapareceram, os choros sem explicação diminuiram progressivamente e os gêmeos estão dormindo muito melhor durante a noite.

Sofia correu atrás do prejuízo e tem alcançado o Thomas – que antes era o mais espertinho dos dois! Ela também já “conversa” animada com a gente, presta atenção em tudo, uma graça. Os dois estão super antenados no que acontece ao redor e distribuem sorrisos banguelas com muita generosidade.

Os olhares acompanham tudinho e quando falamos com eles, as expressões dos rostinhos mudam de acordo com a entonação da nossa voz. Outro dia fingi dar uma bronca no Thomas e ele ficou sério na hora, parecendo entender direitinho.

Neste mês eles ficaram mais firmes, sustentam a cabeça erguida e sentam com as costas retinhas no nosso colo. Comecei a deixa-los de bruços e eles mantém as cabecinhas pra cima – naquelas poses típicas de bebês, e a mãe patetona aqui morre de amor. Neste “quesito” a Sofia leva vantagem, acho que por ser mais miudinha consegue controlar melhor o corpo.

E os gritinhos

Dilemas de uma mãe recém-nascida

Vi a imagem no blog Potencial Gestante, mas a original é do Memezinho da Mamãe

Ai a maternidade… tão linda, tão cor-de-rosa-e-salmão, tantas alegrias, choros e ranger de dentes e sensação de missão cumprida… OOOOOOOOOOHHH WHAIIIT

Nem tudo são flores. Eu e a minha grandissíssima auto-cobrança somos parceironas, então vira e mexe entro em crises existenciais maternas. Porque não, as coisas nem sempre saem como planejamos. Aliás, se eu posso afirmar uma coisa, é que planejamento, métodos rígidos e inflexibilidade não existem na vida de uma mãe de gêmeos!

Mas vamos falar de crise, que se eu não falar aqui, não posso falar em mais nenhum outro lugar (o blog é minha terapia, cês lembram né?). A primeira foi o parto. Queria muito, infinitamente, idealizava um parto normal. Mas quando a bolsa estourou, tive descolamento de placenta e hemorragia, fizemos a cesárea rapidinho, e laaaaá se foi minha ideologia por água (e sangue) abaixo.

Já no dia-a-dia, o fato é que todo mundo tem uma opinião para te dar em relação a como você deve cuidar dos seus filhos – geralmente, com opiniões OPOSTAS ao que você está fazendo. O mais incrível é que se houver 3, 5 ou 47 pessoas diferentes no recinto, cadaumadelas irá dar um conselho d-i-f-e-r-e-n-t-e! O que só prova como você é uma @maedemerda!

Eu confesso que, depois dos bebês nascerem, fiquei um tanto fragilizada e sensível. Talvez pelo cansaço físico e emocional, ou pelas mudanças bruscas na rotina e na vida, ou pela necessidade constante de depender de ajuda… Muitas vezes tive vontade de me trancar no banheiro e chorar por horas a fio – pena que não dava tempo!

Depois, veio a frustação com a amamentação. Os gêmeos já saíram da maternidade com a recomendação de um complemento a cada mamada – que foi aumentando no decorrer das semanas. Nunca senti meu leite “descer”, meus peitos nunca vazaram, endureceram, doeram, nada. Nessa época, o Thomas era um bebê irritado, chorava o tempo todo, e agora me pergunto se não era FOME. A realidade cruel é que por mais que eu oferecesse o peito, nunca foi suficiente. Comentei com a pediatra, ela me receitou Plasil para aumentar o leite, mas mesmo assim a partir do início do terceiro mês, fui percebendo eles muito nervosos durante as mamadas. Um dia, no horário da mamada, resolvi ordenhar os peitos e consegui tirar só 70 ml dos dois!! Ou seja, não enchia a barriga, por isso eles reclamavam. Desde então, partimos para a mamadeira – e eles continuam crescendo, engordando e me olhando embevecidos a cada mamada… #culpasfree, eu pratico (ou tento).

A rotina de uma mãe que acabou de ter seu primeiro filho (ou no meu caso, um combo de filhos) é um eterno desmoronamento de castelinhos. Tudo o que a gente sonha, idealiza e projeta vai dando lugar ao improviso, ao jogo de cintura e às experimentações. É um exercício constante de flexibilidade, paciência e perseverança.

E é bom, sempre. Vale a pena, sempre. E mesmo que às vezes bata o cansaço, o sono, a fome e a dúvida, sempre existe também olhinhos brilhantes e sorrisos banguelas te encorajando a continuar com o seu trabalho de devoção e amor. Porque no fundo, certamente cada mãe oferece o seu melhor.

Sobre os meus filhos…

A cada dia, minha paixão por eles vai crescendo. Acordo no meio da noite, exausta, remelenta, chego no berço e encontro uma fofura de cada lado do quarto, os dois sorrindo pra mim… o que me dá a certeza de que eu mataria e morreria para que eles não sofressem nem por um segundo.

E quando eu olho para cada um, tenho a consciência de que são duas pessoas, que terão desejos e opiniões, e sinto tanta coisa ao mesmo tempo…

O Thomas é o meu moleque sabido, vivaz e voraz. Tem um “quê” de impetuoso e seu olhar é um dos mais expressivos que eu já vi em um bebê tão novinho. É charmoso e com isso conquista a todos em sua volta. É impaciente, bravo, não sabe esperar.

Filho, precisamos tomar cuidado para equilibrar a atenção que damos a você e à sua irmã, senão você monopoliza tudo! Estamos sempre sendo solicitados por você, que retribui com um sorriso largo e gritinhos de felicidade. Tenho medo de que você se torne um menino mimado e egocêntrico – você faz o que faz e consegue chamar nossa atenção…Você é um machinho alfa, logo se vê, um fiel representante da sua espécie. Olho pra você e já sinto orgulho, antevendo o homem inteligente e determinado que será um dia. Outro dia imaginei o dia do seu casamento e chorei litros… Sinto um amor cheio de satisfação por você, meu filho. Minha ferinha, meu bravinho, meu pequeno homenzinho…

E da Sofia, o que falar? Um verdadeiro anjinho na minha vida. Ela é um misto de delicadeza e meiguice, que não passam desapercebidos aos olhos de ninguém. Sempre sorrindo, espera com paciência sua vez de mamar, de tomar banho, de ser pega no colo. Se está com sono, basta coloca-la no berço e oferecer um carinho que ela logo dorme. Sofia tem uma aura de encanto e serenidade, olhar para ela invariavelmente me enche de ternura. É a menininha da casa e, com a impetuosidade do Thomas, por vezes tenho receio de que ela seja preterida e sofro com a ideia. Entao a cubro de beijos e de amor, para que nada possa atingi-la.

Sofia, você é minha princesa, meu cisquinho de gente, minha passarinho, e eu vou viver para protege-la. Minha querida filha, meu encanto, minha simpática miniatura. Que os seus amigos anjinhos conservem este olhar iluminado e essa energia cheia de luz que voce tem, para que possa compartilhá-la com o mundo e torna-lo um lugar melhor.

Meus filhos amados, que complementam a minha existência e preenchem todos os minutos da minha vida e do meu pensamento. Minha vida mudou, tenho certeza, e não quero nem imaginar como ela seria se eu não tivesse finalmente ter aceito encarar a maternidade de peito aberto.